Joás Sanct há 5 meses
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Megadeth se Despede dos Palcos: Turnê Final "This Was Our Life" Chega ao Brasil com Homenagem Épica ao Metallica

Aracaju, SE, 31 de outubro – O ar está pesado, carregado de eletricidade estática, como antes de uma tempestade que vai engolir o planeta inteiro. No epicentro dessa tormenta, uma lenda do heavy metal ergue a espada pela última vez. Megadeth, os senhores absolutos do thrash, os arquitetos de um som que rasga a carne e a alma, os sobreviventes de quarenta e dois anos de guerra sonora, anunciam o fim. Dave Mustaine, o general de cabelos vermelhos como sangue seco, o homem que transformou rejeição em império, o guitarrista que faz notas chorarem e sangrarem, decreta: esta é a despedida. Um álbum final que será o testamento de uma vida em chamas. Uma turnê global chamada "This Was Our Life" que passará pelo Brasil como um cometa em rota de colisão. Preparem-se, headbangers do mundo: o apocalipse tem data marcada – e São Paulo será o palco do último rugido.

Tudo começou a se desenhar no dia 14 de agosto de 2025, uma data que entrará para os anais do metal como o momento em que o coração do thrash parou por um segundo. Mustaine, aos 64 anos, com a voz ainda rouca do câncer de garganta que tentou calá-lo em 2019 mas foi esmagado por pura teimosia, apareceu em um vídeo postado no site oficial da banda. O fundo era preto, apenas ele e sua guitarra Vic Rattlehead ao lado, como um cavaleiro ao lado de sua armadura. "Megadeth está encerrando seu ciclo", disse ele, os olhos fixos na câmera, sem piscar. "Vamos lançar o último álbum de estúdio. Vamos fazer a última turnê mundial. Em 2026, tudo termina. Mas termina em glória." A mensagem foi curta, mas caiu como uma bomba atômica. Nas redes sociais, o caos: hashtags #MegadethFarewell e #ThisWasOurLife dominaram o X por dias. Fãs choravam, gritavam, postavam fotos antigas de shows, camisetas rasgadas, ingressos amarelados. Era o luto antecipado de uma nação inteira de metalheads.

Ontem, 30 de outubro, veio o golpe de misericórdia – ou de graça, dependendo do ponto de vista. O anúncio das datas sul-americanas. Um furacão de cinco shows que vai varrer o continente como um tsunami de riffs. E o Brasil, como sempre, está no olho do furacão. São Paulo, a capital do metal brasileiro, recebe o único show no país: dia 2 de maio de 2026, no Espaço Unimed, antiga Espaço das Américas, o templo sagrado onde lendas como Iron Maiden, Slayer e o próprio Megadeth já deixaram marcas de sangue e suor no chão. A pré-venda para membros do Cyber Army, o fã-clube oficial que funciona como uma irmandade secreta de devotos, começa dia 3 de novembro às 10h em ponto. A venda geral explode dia 7 de novembro, mesma hora, via Eventim. Os sites de ingressos já tremem só de pensar na avalanche de cliques. Fóruns do Reddit como r/Megadeth e r/metalbrasil estão em chamas: "Vou acampar na frente do computador", "Cyber Army ou morte", "Rust in Peace pra quem ficar de fora". É guerra. E o prêmio é ver Dave Mustaine, Kiko Loureiro, James LoMenzo e Dirk Verbeuren pela última vez no Brasil.

A turnê "This Was Our Life" não é apenas uma série de shows – é uma peregrinação. O nome vem da autobiografia de Mustaine, "Mustaine: A Heavy Metal Memoir", publicada em 2010, onde ele despeja sem filtros a saga de sua vida: da infância destruída por um pai alcoólatra e violento em La Mesa, Califórnia, até o topo do mundo do metal. As datas latinas são um roteiro de destruição controlada: 23 de abril em Lima, no Peru, onde o público andino vai transformar a Costa Verde Arena em um vulcão; 26 de abril em Bogotá, Colômbia, no Movistar Arena, com altitude de 2.600 metros que vai deixar os mosh pits ainda mais insanos; 30 de abril em Buenos Aires, Argentina, no Movistar Arena portenho, onde os hermanos vão cantar "Holy Wars" em uníssono como se fosse hino nacional; 2 de maio em São Paulo, Brasil, o clímax sul-americano; e 5 de maio em Santiago, Chile, no Movistar Arena, fechando com chave de ouro antes de pular para o México em três datas explosivas na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. Depois, EUA e Europa – rumores de abertura com Iron Maiden ou Anthrax circulam como fogo em pólvora.

Mas para entender o peso dessa despedida, precisamos voltar no tempo. Muito tempo. Para 13 de setembro de 1961, quando David Scott Mustaine nasceu em La Mesa, uma cidadezinha pacata da Califórnia. O pai, John, era um executivo bancário alcoólatra que batia na mãe, Emily, uma dona de casa devota testemunha de Jeová. O divórcio veio cedo, aos quatro anos de Dave, e a mãe fugiu com os filhos para escapar da violência. Cresceram em apartamentos apertados, mudando de cidade em cidade, sempre pobres. Dave encontrou refúgio na música. Aos 14 anos, já tocava guitarra como um possesso, devorando discos de Black Sabbath, Judas Priest, UFO e Led Zeppelin. "Eu queria ser Michael Schenker", diria anos depois. Aos 16, já traficava maconha para pagar as contas da família. Aos 17, foi preso pela primeira vez. A vida era uma corda bamba sobre o abismo.

Em outubro de 1981, o destino bateu à porta. Mustaine, então com 20 anos, trabalhava como cozinheiro em uma escola em Los Angeles quando recebeu um telefonema de Lars Ulrich, baterista dinamarquês de uma banda nova chamada Metallica. "Quer vir tocar com a gente?" Dave pegou o primeiro ônibus para São Francisco. Chegou com uma guitarra barata, uma mochila e um litro de vodca. Em semanas, escreveu riffs que entrariam para a história: "The Four Horsemen", "Jump in the Fire", "Phantom Lord" e metade de "Ride the Lightning". O Metallica era cru, rápido, furioso – e Mustaine era o motor. Mas o álcool e a agressividade explodiram. Brigas constantes com James Hetfield, noitadas que terminavam em blackouts, ameaças com faca. Em 11 de abril de 1983, após um show desastroso em Nova York, Lars e James o acordaram às 6h da manhã em um apartamento sujo. "Você está fora." Sem discussão. Colocaram-no em um Greyhound de volta a Los Angeles com US$ 400 no bolso e uma carta de demissão: "Devido a problemas com bebida e maconha, você não faz mais parte do Metallica."

Quatro dias de viagem. Quatro dias para transformar raiva em combustível. Mustaine desceu do ônibus em L.A. com os olhos injetados e uma ideia fixa: vingança. Ligou para David Ellefson, baixista que conhecera anos antes. "Vamos formar uma banda que vai acabar com eles." O nome? Megadeth – um trocadilho com "megadeath", um milhão de mortes em uma explosão nuclear, termo que Mustaine lera em um jornal sobre armas atômicas. "Se eles são os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, nós seremos a destruição total." Nascia a lenda.

O primeiro álbum, "Killing Is My Business... and Business Is Good!", saiu em 1985 pela Combat Records, gravado em um estúdio vagabundo com US$ 8.000 emprestados. É puro ódio em forma de som: velocidade insana, vocais rasgados, letras sobre guerra e assassinato. A capa com Vic Rattlehead, o mascote esquelético com olhos, ouvidos e boca costurados, tornou-se ícone. O segundo, "Peace Sells... but Who's Buying?" (1986), explodiu na MTV com o clipe da faixa-título – um adolescente assistindo TV enquanto o mundo desaba. Letras como "If there's a new way / I'll be the first in line / But it better work this time" viraram hinos anti-establishment. O álbum vendeu 1 milhão só nos EUA.

O auge veio em 1990 com "Rust in Peace". Mustaine, limpo de drogas após uma overdose de heroína em 1987 que quase o matou, recrutou Marty Friedman na guitarra e Nick Menza na bateria. O resultado? Um dos maiores álbuns de metal de todos os tempos. "Holy Wars... The Punishment Due" abre com um riff que parece uma metralhadora; "Hangar 18" teoriza sobre aliens em bases secretas; "Tornado of Souls" tem um solo de Friedman que faz guitarristas chorarem até hoje. O disco foi platina, indicado ao Grammy, e colocou Megadeth no mesmo patamar do Metallica, que acabara de lançar o Black Album.

"Countdown to Extinction" (1992) foi o ápice comercial: 2 milhões de cópias, #2 na Billboard, "Symphony of Destruction" na MTV o dia todo. Mustaine criticava caça de baleias em "Foreclosure of a Dream", ditadores em "Symphony", o sistema em "Sweating Bullets". Mas o sucesso trouxe demônios. Lineup instável: 30 músicos passaram pela banda em 42 anos. Gar Samuelson morreu de overdose em 1999; Nick Menza de ataque cardíaco em 2016; David Ellefson saiu em 2021 após escândalo sexual. Mustaine casou-se com Pam em 1991, teve dois filhos – Justis e Electra – mas o casamento quase acabou nos anos 90. Em 1990, após uma visão em um acampamento cristão, converteu-se. "Eu vi Jesus", disse. Limpou-se de vez. Tornou-se devoto, mas nunca perdeu a fúria.

Em 2019, o câncer de garganta. Diagnosticado em maio, 51 radiações, 9 quimioterapias. Perdeu 15 quilos, a voz sumiu por meses. Cancelou 52 shows. "Pensei que era o fim", confessou. Mas voltou em 2020 com "The Sick, The Dying... and The Dead!" (2022), um renascimento. Kiko Loureiro, brasileiro de Belo Horizonte, entrou em 2015 e trouxe técnica insana; Dirk Verbeuren, belga, assumiu a bateria em 2016 com velocidade sobre-humana. James LoMenzo voltou ao baixo em 2022. A formação mais sólida da história.

Agora, o álbum final: simplesmente chamado "Megadeth", lançamento mundial em 23 de janeiro de 2026 pela Tradecraft/BLKIIBLK. Pré-venda já aberta em selftitled.megadeth.com/preorder. Dez faixas originais mais uma bônus que vai explodir cabeças. O tracklist é um testamento de guerra:

1. Tipping Point – single já lançado, um hino sobre o colapso social iminente. Riff inicial que parece um alarme de sirene nuclear.

2. I Don’t Care – Mustaine cuspindo no rosto do politicamente correto. "I don’t care what you think / I don’t care what you say."

3. Hey, God?! – um grito existencial, quase blasfemo, questionando a divindade em meio ao caos.

4. Let There Be Shred – puro shred guitar, duelos entre Mustaine e Kiko que duram minutos. Técnica para derreter cérebros.

5. Puppet Parade – marionetes do poder desfilando para a guilhotina. Crítica afiada ao sistema global.

6. Another Bad Day – um dia ruim que nunca acaba. Depressão, ansiedade, o inferno moderno em forma de música.

7. Made to Kill – sobre soldados programados, drones, IA assassina. "We were made to kill / And we do it well."

8. Obey the Call – o chamado da guerra, da violência, da sobrevivência. Bateria de Verbeuren como metralhadora.

9. I Am War – Mustaine encarna a própria guerra. Vocal rasgado, quase death metal.

10. The Last Note – a nota final. Lenta, épica, com orquestra ao fundo. Mustaine cantando: "This is the last note / The final chord / The end of the war."

E a bônus: "Ride the Lightning", regravada do zero. A faixa-título do álbum do Metallica de 1984, co-escrita por Mustaine quando ainda estava na banda. "Eu escrevi o riff principal na cozinha do Lars", lembra. "James colocou a letra sobre cadeira elétrica. Eu sempre quis regravar do meu jeito." A versão Megadeth é mais pesada, mais rápida, com solo duplo de Mustaine e Kiko. É o fechamento do ciclo. Rivalidade que durou décadas vira irmandade. Em 2011, a turnê Big Four – Metallica, Megadeth, Slayer, Anthrax – lotou estádios na Europa e EUA. Mustaine e Hetfield se abraçaram no palco. Agora, o adeus.

Nos shows, espere o apocalipse. Setlist de 22 a 25 músicas, misturando clássicos e raridades. Abertura com "Hangar 18", seguida de "Sweating Bullets", "Trust", "In My Darkest Hour" (dedicada a Cliff Burton, baixista do Metallica morto em 1986). "Peace Sells", "Symphony of Destruction", "Holy Wars" no encore. Raridades como "Wake Up Dead", "Mechanix" (a versão original de "The Four Horsemen" do Metallica), "Devil’s Island". Kiko vai solar "Tornado of Souls" e fazer o público brasileiro explodir de orgulho. Mustaine, com a voz ainda rouca mas poderosa, vai contar histórias entre as músicas: "Essa eu escrevi no ônibus depois de ser expulso...", "Essa é para minha mãe, que me salvou da rua...".

No Brasil, a expectativa é de histeria coletiva. Fãs já planejam caravanas de todo o país. De Porto Alegre a Belém, de Recife a Cuiabá, metalheads economizam há meses. O Espaço Unimed, com capacidade para 8.000 pessoas, vai lotar em minutos. Mosh pits que vão parecer terremotos. Circle pits que vão engolir a pista inteira. Wall of death que vai rachar o chão. Camisetas vintage de "Rust in Peace", "Youthanasia", "Cryptic Writings". Bandeiras do Brasil misturadas com Vic Rattlehead. Lágrimas escorrendo pelo rosto suado enquanto "A Tout le Monde" toca – a balada que Mustaine escreveu pensando na morte.

Por que agora? Mustaine é enfático: "Quero ver meus netos crescerem. Quero acordar sem dor nas costas. Quero paz." Ele tem artrite, lesões antigas, a garganta ainda sensível. A turnê Crush the World de 2024, com 80 shows, foi a mais longa em anos – e a mais dolorosa. "Meu corpo não aguenta mais", admite. Mas o espírito? Imortal. O álbum final não tem convidados confirmados, mas Marty Friedman gravou um solo em estúdio, segundo fontes próximas. "Foi como voltar no tempo", disse Friedman.

Não é o fim do Megadeth – é a eternidade. Os álbuns vão continuar girando em toca-discos. As músicas vão ecoar em festivais. Novos guitarristas vão aprender os solos nota por nota. Crianças que nem nasceram vão descobrir "Rust in Peace" em 2050 e sentir o mesmo arrepio. Box sets, documentários, biografias. O legado é indestrutível.

Para o Brasil, 2 de maio de 2026 é mais que um show – é um evento histórico. O último Megadeth no país. A última vez que Dave Mustaine vai pisar em solo brasileiro. A última vez que "Peace Sells" vai explodir em um estádio lotado. Comprem os ingressos. Acampem na fila virtual. Vistam a camiseta mais velha que tiverem. Levem cartazes. Gritem até perder a voz. Porque quando as luzes se apagarem e o último acorde de "Holy Wars" ecoar, o mundo do metal nunca mais será o mesmo.

Dave Mustaine deixa uma mensagem final, postada ontem no X: "Obrigado por 42 anos de guerra ao meu lado. Vocês me deram uma vida que eu nunca mereci. Do fundo do coração: valeu. Agora vamos fazer essa turnê ser a maior explosão da história do metal. See you in the pit."

Rust in Peace, Megadeth? Jamais. Vocês vão Rise to Glory para sempre.

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