Quando a noite de 20 de junho de 2025 caiu sobre a Orla da Atalaia, em Aracaju, o ar se encheu de acordes de sanfona, batidas de zabumba e o calor humano de milhares de forrozeiros que transformaram o Arraiá do Povo em um espetáculo inesquecível. Este marco do São João sergipano, promovido pelo Governo do Estado, reuniu gigantes do forró pé de serra – Erivaldo de Carira, Jorge de Altinho, Geraldo Azevedo, Santanna, o Cantador, e Joba – em uma celebração que não apenas incendiou a Praça de Eventos, mas também reafirmou o forró como a pulsação da identidade nordestina. Com um repertório que atravessou décadas, esses mestres da música tradicional fizeram da noite um hino à cultura, à memória e à alegria do Nordeste.
O Arraiá do Povo, que se estende por 30 dias, é mais do que uma festa junina: é um manifesto cultural que celebra a identidade nordestina. Além do forró tradicional, o evento abraça outros gêneros como brega e arrocha, mas é no pé de serra que reside a alma da celebração. A programação cuidadosamente curada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), destaca a riqueza do forró raiz, conectando gerações e fortalecendo o orgulho regional. Este ano, a introdução do Palco 360º trouxe uma nova dinâmica, aproximando ainda mais os artistas do público e mantendo a animação ininterrupta.
Erivaldo de Carira: Tradições Sergipanas
Abrindo a noite com sua sanfona afinada, Erivaldo de Carira, um dos maiores ícones da música sergipana, trouxe ao palco a essência do forró pé de serra. Com décadas de carreira, Erivaldo é um símbolo da resistência cultural, mantendo viva a chama das tradições juninas. Suas canções, que atravessam gerações, evocam a simplicidade e a profundidade da vida nordestina, com letras que falam de amor, saudade e celebração. Em sua apresentação, ele destacou a relevância do Arraiá do Povo para a preservação da cultura local: “Essa é a nossa identidade. Não podemos deixar o forró raiz morrer. Estou honrado por tocar para esse público e agradeço ao Governo de Sergipe por valorizar nossa história.”
Nascido em Carira, interior de Sergipe, Erivaldo é conhecido por sua habilidade singular na sanfona e por composições que capturam o espírito do São João. Sua trajetória é um testemunho do poder da música como veículo de memória cultural, e sua presença no Arraiá do Povo reforça seu papel como um dos pilares do forró sergipano.
Jorge de Altinho: O Embaixador do Forró Nordestino
Seguindo Erivaldo, Jorge de Altinho subiu ao Palco Rogério com sua energia característica, levando o público a dançar e cantar em uníssono. Com mais de 40 anos de carreira, o pernambucano é um dos maiores nomes do forró nordestino, conhecido por hits como “Petrolina-Juazeiro” e “Confidência”. Sua música, que combina romantismo e animação, é um reflexo da diversidade cultural do Nordeste, unindo o tradicional ao contemporâneo.
Jorge destacou a importância de noites dedicadas ao forró pé de serra: “Eventos como o Arraiá do Povo são essenciais para manter nossas raízes vivas. O forró é a nossa essência, e ver tanta gente celebrando essa cultura é gratificante.” Sua performance foi um lembrete do impacto duradouro de sua obra, que continua a inspirar novas gerações de forrozeiros e a consolidar o forró como um dos gêneros mais amados do Brasil.
Geraldo Azevedo: A Poesia do Nordeste em Canção
Um dos momentos mais aguardados da noite foi a apresentação de Geraldo Azevedo, cuja carreira de mais de 50 anos é um marco na música popular brasileira. Com clássicos como “Dia Branco”, “Táxi Lunar” e “Bicho de Sete Cabeças”, o pernambucano emocionou o público com sua voz inconfundível e arranjos que misturam forró, frevo e MPB. Sua habilidade de transformar sentimentos em poesia musical fez da apresentação um momento de conexão profunda com a plateia.
Geraldo, que retornou ao Arraiá do Povo pelo segundo ano consecutivo, elogiou a autenticidade do evento: “Este é o melhor São João à beira-mar do Brasil. É uma festa que respira cultura nordestina, e o público sergipano é simplesmente incrível. Parabéns ao Governo de Sergipe por essa celebração.” Sua performance foi uma aula de como a música pode transcender o tempo, unindo passado e presente em uma celebração da identidade regional.
Santanna, o Cantador: A Voz da Nação Nordestina
Encerrando a sequência de shows no palco principal, Santanna, o Cantador, trouxe ao palco uma mistura poderosa de clássicos e composições recentes, consolidando seu lugar como um dos maiores defensores do forró pé de serra. Conhecido por sucessos como “Ana Maria” e “Me Dá Meu Coração”, Santanna é uma figura carismática que personifica o orgulho nordestino. Sua apresentação foi um tributo à cultura do Nordeste, com letras que celebram a resiliência, a alegria e a simplicidade da vida no interior.
Para Santanna, o Arraiá do Povo é um símbolo da força cultural da região: “O Nordeste é uma nação, e o forró é o nosso hino. Tocar para esse público é uma honra, e essa festa mostra o quanto nossa cultura é poderosa.” Sua performance foi um encerramento triunfal, deixando o público extasiado e reforçando a importância de preservar o forró como patrimônio cultural.
Joba: A Nova Geração no Palco 360º
Nos intervalos dos shows principais, o sergipano Joba comandou o Palco 360º, uma inovação que trouxe ainda mais dinamismo ao Arraiá do Povo. Com sua energia jovem e repertório vibrante, Joba manteve o público dançando sem parar, provando que a nova geração do forró está pronta para carregar o legado dos mestres. Sua apresentação, marcada por uma proximidade única com o público, foi um dos destaques da noite.
Joba, que se apresentou no Arraiá do Povo pelo terceiro ano consecutivo, expressou sua gratidão pela oportunidade: “Tocar na mesma noite que lendas como Geraldo Azevedo e Santanna é inspirador. O Palco 360º é uma ideia genial, porque mantém a energia lá em cima e nos aproxima do público. Estou orgulhoso de fazer parte dessa festa.” Sua performance reforçou a vitalidade do forró sergipano e a importância de abrir espaço para novos talentos.
O Público: Um Mosaico de Histórias e Paixão pelo Forró
O Arraiá do Povo não seria o mesmo sem seu público apaixonado, que transformou a Orla da Atalaia em um mar de sorrisos e passos de dança. Entre os forrozeiros, histórias de amor pela cultura nordestina se entrelaçavam. Marcos de Souza, um paulista que se mudou para Aracaju há cinco anos, é um exemplo disso. Atraído pelo São João sergipano, ele não perde uma edição do Arraiá do Povo: “O forró pé de serra é poesia pura. É romântico, é raiz. Venho com meus amigos para celebrar essa riqueza cultural.”
Mariana Guimarães Carvalho, uma guia turística de Aracaju que mora no Rio Grande do Norte, trouxe sua família para o evento, destacando a representatividade do forró tradicional: “O pé de serra está no nosso sangue. É a nossa identidade. Adoro trazer as crianças para que elas cresçam valorizando essa cultura.” Já o professor José Oliveira de Freitas, acompanhado da esposa e do filho, enfatizou a importância de priorizar o forró raiz: “Essa é a base da nossa cultura. O Arraiá do Povo dá espaço para todos os estilos, mas o tradicional sempre será o coração do São João.”
Um Evento Monumental: Organização e Apoio
O Arraiá do Povo é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Funcap e do Banese, com parceria do Ministério da Cultura via Lei Rouanet. O evento conta com o apoio de instituições como Energisa, Aperipê TV, Netiz, TV Atalaia, Prefeitura de Aracaju, FM Sergipe e TV Sergipe, além de patrocinadores como Eneva, Iguá Saneamento, Maratá, GBarbosa, Sergas, Deso, Pisolar, Celi Engenharia, Rede Primavera Saúde, SEGV e Indra. Essa rede de colaborações garante a grandiosidade do festejo, que se consolida como um dos maiores São Joões do Brasil.
Além do Arraiá do Povo, a Vila do Forró complementa a experiência junina, oferecendo um espaço dedicado à gastronomia, artesanato e manifestações culturais tradicionais. Juntos, esses eventos transformam Aracaju em um destino imperdível para os amantes do São João.
A Importância Cultural do Forró Pé de Serra
O forró pé de serra, com sua tríade clássica de sanfona, zabumba e triângulo, é mais do que um gênero musical: é um símbolo da resistência cultural nordestina. Artistas como Erivaldo de Carira, Jorge de Altinho, Geraldo Azevedo e Santanna dedicaram suas carreiras a preservar e difundir esse legado, que remonta às festas juninas do interior do Nordeste. Suas músicas, que falam de amor, saudade e celebração, conectam o passado ao presente, unindo gerações em uma mesma batida.
O Arraiá do Povo, ao priorizar o forró tradicional, desempenha um papel crucial na valorização dessa herança. Em um mundo cada vez mais globalizado, eventos como esse são um lembrete da importância de proteger as identidades regionais. Como destacou Santanna, o Cantador, “o Nordeste é uma nação” – e o forró é sua bandeira.
Um São João Inesquecível
A noite de 20 de junho de 2025 no Arraiá do Povo foi um marco na história do São João sergipano. Com apresentações que uniram tradição e inovação, os artistas consagrados do forró pé de serra provaram que a cultura nordestina está mais viva do que nunca. De Erivaldo de Carira a Joba, cada performance foi um tributo à riqueza do Nordeste, reforçando o orgulho de ser nordestino.
Para os milhares de forrozeiros que lotaram a Orla da Atalaia, o Arraiá do Povo foi uma celebração da vida, da música e da fraternidade. E, enquanto o forró ecoava sob o céu de Aracaju, uma mensagem ressoava clara: as raízes nordestinas são inquebráveis, e seu legado seguirá dançando por muitas gerações.