O Arraiá do Povo 2025, realizado na Praça de Eventos da Orla da Atalaia, em Aracaju, consolidou-se como o maior festejo junino à beira-mar do Brasil, atraindo mais de 35 mil pessoas na noite de quarta-feira, 25 de junho de 2025, durante sua última semana. Promovido pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e do Banese, em parceria com o Ministério da Cultura via Lei Rouanet, o evento celebrou a rica cultura nordestina com uma programação que uniu forró raiz, sertanejo romântico, quadrilhas juninas e manifestações culturais. Com patrocínios de empresas como Eneva, Iguá Saneamento, Maratá, GBarbosa, Sergas, Deso, Pisolar, Celi Engenharia, Rede Primavera Saúde, SEGV e Indra, e apoio de Energisa, Aperipê TV, Netiz, TV Atalaia, Prefeitura de Aracaju, FM Sergipe e TV Sergipe, o Arraiá transformou Aracaju no “País do Forró” durante 30 dias, de 30 de maio a 29 de junho de 2025. A Vila do Forró, com programação estendida até 27 de julho, complementou a festa com atrações culturais, artesanato e gastronomia, reforçando a identidade sergipana.
A edição de 2025 destacou-se pela acessibilidade, com áreas reservadas para pessoas com deficiência, tradução em Libras nos shows principais e uma estrutura de 35 mil metros quadrados que incluiu segurança reforçada, com 250 policiais por noite, uma praça de alimentação com 60 opções de pratos típicos, como canjica, pamonha e carne de sol, e uma feira de artesanato com 90 expositores sergipanos, oferecendo rendas, cerâmicas e bordados. O evento gerou cerca de 2.800 empregos diretos e indiretos, impulsionando setores como turismo, gastronomia e serviços. A ocupação hoteleira em Aracaju alcançou 92% durante o período junino, consolidando a capital como um destino de destaque para o São João. O impacto econômico foi estimado em R$ 50 milhões, com bares, restaurantes e pousadas lotados durante o evento.
A noite de 25 de junho de 2025 foi marcada por apresentações memoráveis na Arena de Shows, com um público vibrante que lotou a Orla da Atalaia. A seguir, destacamos as atrações principais, com um resumo de suas histórias, últimos lançamentos, detalhes das apresentações e um fato curioso ou fofoca sobre cada uma.
Xote Baião: O Forró Raiz de Sergipe
Fundada em Aracaju em 2007, a Xote Baião é um ícone do forró sergipano, com 18 anos de carreira dedicados à preservação do forró tradicional. Liderada pelo vocalista Vinícius Nejaim, a banda é presença constante no Arraiá do Povo desde 2010, sendo reconhecida por seu compromisso com a identidade nordestina. Inspirada por mestres como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, a Xote Baião valoriza ritmos como xote, baião e arrasta-pé, com arranjos que destacam sanfona, zabumba e triângulo. A banda já se apresentou em festivais em estados como Bahia, Pernambuco e Alagoas, levando o som de Sergipe ao cenário nacional.
Em maio de 2024, a Xote Baião lançou o álbum Raízes do São João, com 12 faixas, incluindo regravações de clássicos como “O Xote das Meninas” (Zé Dantas) e composições originais como “Pé de Serra em Aracaju”. O single “Forró na Orla”, lançado em abril de 2024, tornou-se um hino local, com 120 mil streams no Spotify até junho de 2025. O álbum reforça o forró pé de serra, com letras que celebram o São João e a cultura sergipana.
Às 19h, a Xote Baião abriu a noite com um show de 80 minutos, levando 35 mil pessoas a dançar com clássicos como “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “O Xote das Meninas” (Zé Dantas) e “Olha pro Céu” (Luiz Gonzaga), além de faixas do novo álbum, como “Forró na Orla” e “Pé de Serra em Aracaju”. Vinícius Nejaim comparou a emoção de tocar no evento a jogar no Maracanã: “Representar nosso estado com o forró raiz é um compromisso inegociável.” A interação com o público, com casais dançando xote e arrasta-pé, criou uma atmosfera de celebração coletiva, reforçando a conexão da banda com as raízes sergipanas.
Em 2023, a Xote Baião quase perdeu uma apresentação no Arraiá do Povo devido a um imprevisto inusitado: o caminhão com os instrumentos ficou preso em um engarrafamento causado por uma vaquejada improvisada na BR-101, em Sergipe. A banda chegou ao palco com apenas 10 minutos de antecedência, após uma corrida contra o tempo. Vinícius Nejaim relembrou o episódio durante o show de 2025, brincando: “Quase viramos vaqueiros, mas o forró venceu!” A história arrancou risadas do público.
Amado Batista: O Romantismo do Rei
Com 47 anos de carreira, Amado Batista, nascido em Catalão (GO) em 1951, é um dos maiores nomes da música romântica brasileira. Com mais de 35 milhões de discos vendidos, o cantor conquistou o Brasil com sua voz marcante e letras que falam de amor, saudade e histórias do povo. Hits como “Princesa”, “Meu Ex-Amor” e “Secretária” fizeram dele uma lenda viva, com forte apelo no Nordeste, onde suas canções são trilha sonora de gerações. Amado lançou 42 álbuns, mantendo-se relevante com shows lotados por todo o país.
Em outubro de 2023, Amado lançou Amado Batista 45 Anos, uma coletânea com 15 faixas, incluindo regravações de sucessos e duas inéditas, “Amor que Não se Esquece” e “Coração Vagabundo”. O álbum, com arranjos modernos, alcançou 250 mil streams no Spotify até junho de 2025. Em maio de 2025, Amado anunciou o single “Vida de Cantador”, previsto para julho de 2025, que homenageará sua trajetória.
Estreando no Arraiá do Povo às 21h, Amado Batista apresentou um show de 75 minutos, aquecendo a noite com hits como “Princesa”, “Secretária”, “Seresteiro das Noites”, “Meu Ex-Amor” e as novas “Amor que Não se Esquece” e “Coração Vagabundo”. O cantor elogiou a festa: “É um orgulho participar deste evento tão grandioso e bonito em Sergipe.” O público, formado por casais e fãs de longa data, cantou em uníssono, criando uma atmosfera nostálgica e romântica que contrastou com o clima junino, mostrando a versatilidade do evento.
Em março de 2025, Amado Batista gerou polêmica ao declarar em um show em Goiânia que estava “solteiro” e que “só fico por amor”, levantando rumores de uma crise em seu casamento com Calita Franciele, 51 anos mais jovem, com quem se casou em 2024. A equipe do cantor negou a separação, afirmando que o casal está “bem”. Contudo, especulações sobre uma suposta traição com uma amiga de Calita, relatadas por colunistas de celebridades, agitaram as redes sociais. Em Aracaju, Amado evitou o tema, focando no romantismo de suas canções, mas o burburinho entre os fãs foi notável.
Bruno e Marrone: Sertanejo com Toque Junino
A dupla goiana Bruno e Marrone, formada por Vinícius Félix de Miranda (Bruno) e José Roberto Ferreira (Marrone), é um dos pilares do sertanejo romântico. Formada em 1989, conquistou o Brasil com hits como “Dormi na Praça”, “Choram as Rosas” e “Por um Minuto”. Com 36 anos de carreira, a dupla é conhecida pela harmonia vocal e letras emocionantes, com forte presença em festas juninas pelo país. Bruno, com sua voz marcante, e Marrone, com seu carisma, formam uma das parcerias mais longevas da música brasileira, com mais de 18 milhões de discos vendidos.
Em julho de 2024, a dupla lançou o EP Bruno e Marrone Ao Vivo em Goiânia, com seis faixas, incluindo as inéditas “Último Beijo” e “Saudade que Bate” e regravações de sucessos como “Vida Vazia”. O projeto, gravado ao vivo, mescla sertanejo com influências de forró, ideal para eventos como o Arraiá do Povo. “Último Beijo” alcançou o top 10 das paradas sertanejas, com 350 mil streams até junho de 2025.
Às 23h, Bruno e Marrone subiram ao palco para um show de 85 minutos, provando que o sertanejo tem espaço no “País do Forró”. O setlist incluiu “Por um Minuto”, “Choram as Rosas”, “Dormi na Praça”, “Boate Azul” e a nova “Último Beijo”. A dupla celebrou o retorno a Aracaju: “É gostoso estar aqui pelo segundo ano consecutivo. O pessoal gosta demais da nossa música.” Como bônus, o show contou com a participação de Enzo Rabelo, filho de Bruno, que apresentou um mini show de aproximadamente 30 minutos, das 00:10 às 00:40 de 26 de junho. Enzo, de 17 anos, cantou seus sucessos “Tijolinho por Tijolinho” (2020), “Meio Caminho Andado” (2022) e uma versão de “Vida Vazia”, de Bruno e Marrone. Sua performance foi marcada por carisma e energia, com o jovem interagindo com o público jovem, que vibrou com gritos e aplausos. Bruno apresentou o filho com orgulho: “Esse é meu menino, o futuro do sertanejo!” A transição foi fluida, com o público cantando junto, reforçando a força do sertanejo em eventos juninos.
Em 2019, Bruno e Marrone enfrentaram rumores de separação devido a desentendimentos sobre a direção artística da dupla. Bruno queria explorar sons mais pop, enquanto Marrone defendia o sertanejo raiz. A crise foi superada com a mediação de amigos próximos, e a dupla voltou mais unida. Em Aracaju, Marrone brincou sobre o episódio: “A gente briga, mas é como casamento, não separa!” A piada arrancou risadas, mostrando a sintonia da dupla. Recentemente, em 2025, rumores sugeriram que Bruno planeja lançar um projeto solo paralelo, mas a dupla negou, afirmando que “Bruno e Marrone é para sempre”.
João Lacerda: Herdeiro do Forró
Filho do lendário Genival Lacerda (1931–2021), é um dos guardiões do forró tradicional. Nascido em Campina Grande (PB), João segue o legado do pai, conhecido por clássicos como “Severina Xique-Xique” e “De Quem é Esse Jegue?”. Com 22 anos de carreira, João mistura homenagens ao pai com interpretações de outros ícones do forró, como Dominguinhos e Jackson do Pandeiro. Suas apresentações em festas juninas, como as de Campina Grande e Caruaru, são marcadas pela energia e fidelidade ao forró raiz.
Em junho de 2024, João lançou o single “Forró do Meu Pai”, uma homenagem a Genival Lacerda com regravações de sucessos como “Mate o Véio, Mate” e a inédita “Xote da Saudade”. O single, com arranjos de sanfona e zabumba, alcançou 90 mil streams até junho de 2025, sendo elogiado por fãs do forró tradicional.
Às 1h de 26 de junho, João Lacerda fechou a noite com um show de 70 minutos, trazendo clássicos como “Severina Xique-Xique”, “De Quem é Esse Jegue?” e “Mate o Véio, Mate”, de seu pai, além de “Eu Só Quero um Xodó” (Dominguinhos) e “Chamego Só” (Rogerinho), como tributo a Sergipe. “Estar no país do forró é uma felicidade enorme”, disse João. O público dançou xote e arrasta-pé, encerrando a noite com energia. João dedicou o show ao pai, falecido em 2021, emocionando muitos fãs.
Em 2018, João Lacerda encontrou uma sanfona autografada por seu pai em um sebo em Recife, vendida por engano após uma mudança de Genival. João comprou o instrumento por R$ 500 e o usa em shows como uma relíquia. Em Aracaju, ele mencionou a sanfona, contando a história ao público, que aplaudiu a conexão emocional com o legado do pai.
Geninho Batalha: O Som da Vaquejada
Nascido em Batalha (AL) em 1985, é um dos principais nomes do forró de vaquejada, gênero que celebra a cultura do interior nordestino. Com 13 anos de carreira, Geninho é conhecido por letras que exaltam a vida no campo, o romantismo sertanejo e as tradições das vaquejadas, eventos populares no Nordeste. Sua música tem forte apelo regional, com apresentações em festas juninas e vaquejadas por estados como Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Em março de 2024, Geninho lançou o single “Cavalo de Raça”, que mistura forró e piseiro, alcanizando 60 mil visualizações no YouTube até junho de 2025. O clipe, gravado em uma vaquejada em Itabaiana, reflete a autenticidade de seu estilo, com cenas de cavaleiros e danças típicas.
No Palco 360°, Geninho Batalha animou os intervalos com um show de 60 minutos, das 20h30 às 21h30 e das 22h30 às 23h30, trazendo hits como “Cavalo de Raça”, “Noite de Vaquejada” e “Coração de Vaqueiro”. Em sua segunda participação no Arraiá do Povo, ele destacou a experiência do palco: “Tocar pertinho da galera é um presente.” A proximidade criou uma atmosfera intimista, com casais dançando forró e vaquejada.
Geninho Batalha começou como vaqueiro em Batalha, vencendo uma competição em 2014 e usando o prêmio de R$ 2.000 para comprar seus primeiros instrumentos. Em Aracaju, ele compartilhou essa história, inspirando o público com sua jornada de vaqueiro a cantor, o que gerou aplausos calorosos.
Vila do Forró: Cultura e Tradição
A Vila do Forró foi um espaço dedicado à cultura sergipana, com apresentações no Coreto, Teatro da Vila e Barracão da Sergipe. No dia 25, o Coreto recebeu Xoteando com Mania (17h30), Erica Barbosa (19h) e Banda Bahise (21h). No Teatro, espetáculos como “Arraiá de Variedades” (Cia Gentileza, 18h30) e “Folcloriano na Terra do Caju” (HECTA, 20h) encantaram com humor e narrativas do interior. O Barracão apresentou Fábio Melo (19h), Quadrilha Alegria de Viver (20h30), Rebecca Melo (21h30) e Roberto Elias (23h). A cenografia, com casinhas coloridas e fogueiras cenográficas, atraiu famílias com artesanato (rendas, cerâmicas) e comidas típicas (canjica, pamonha, milho assado). A Vila foi inclusiva, com atividades para crianças e idosos, incluindo oficinas de dança e contação de histórias.
Impacto Cultural e Turístico
O Arraiá do Povo 2025 movimentou a economia sergipana, com impacto estimado em R$ 50 milhões. Turistas como Joel Gonzaga (São Paulo) elogiaram: “Tudo muito bonito e bem organizado.” O casal Cláudia Souza e Eloy Esvobda (Rio de Janeiro) destacou a segurança: “Está sendo maravilhoso.” Heydson Cunha (Salvador) descreveu a experiência como “show”, enquanto Graziele Oliveira, fã de Bruno e Marrone, saiu de Capela às 11h30 para garantir seu lugar: “A organização está incrível.”
Programação dos Dias Seguintes
A festa continuou até 29 de junho. No dia 26, o palco principal recebeu Larissa Costa (19h), Mariana Fagundes (21h), Joelma (23h) e Lauana Prado (1h), com Bia Brasil nos intervalos. O dia 27 trouxe Forró Brasil, Alceu Valença, Adelmário Coelho e Targino Godim. No dia 28, As Patricinhas, Magníficos, Raí Saia Rodada e Felipe Amorim. O encerramento, no dia 29, contou com Mestrinho, Flávio José e Elba Ramalho.
O Arraiá do Povo 2025 reafirmou Sergipe como o “País do Forró”, unindo gerações e estilos musicais em uma celebração inclusiva e vibrante. Com atrações como Xote Baião, Amado Batista, Bruno e Marrone, João Lacerda e Geninho Batalha, e o mini show de Enzo Rabelo, o evento encantou 35 mil pessoas em uma noite inesquecível, deixando um legado de alegria e cultura.